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Eis o que detestamos: Sócrates, Plutão (ainda bem que foi despromovido) e Eristoff (esta, não percebo bem porquê). Andam todos fartos do autoritarismo e secretismo e "destrutivismo" do Sócrates, e confiam na bonomia, humanismo, construtivismo e ampla percepção social do Presidente Aníbal Cavaco. Está bem, está. Provavelmente, o homem só lhes vai fazer a vontade quando puser problemas à lei do aborto. Olhamos muito lá para trás com os olhos húmidos de saudade (segundo o Público, a 7ª palavra de mais difícil tradução no mundo - mais um motivo de orgulho). Detestamos os contemporâneos, apesar de, pelos vistos, devermos idolatrar os conterrâneos. Desconfiamos, desconfiamos sempre. As dívidas ao fisco chegam a 13 mil milhões de euros. A "economia subterrânea" neste rectângulo de cerca de 800 km, num ano, anulava o famoso défice.
Mas... "o país deve ser apoiado mesmo quando toma decisões erradas"! Brilhante! O português que responde a inquéritos mostra aqui toda a sua raça. E outras características que não vale a pena comentar. Como quando responde que todo o português é mau condutor, excepto ele; ou que todo o português não liga puto à pontualidade, excepto ele. Ou que todo o português é preguiçoso e incompetente e burocrata, excepto ele. Mas, como ele, todo o português é excepcional e clarividente, porque o país deve ser apoiado mesmo quando toma decisões erradas. Quando elege um Sócrates, quando escolhe um Scolari, quando queima nomes em processos de pedofilia, quando arranja falcatruas para eleger Salazar o maior português de sempre e Soares o pior. O problema mesmo é termos um apelido que começa por S. Se não tivermos, tudo bem.
Dentro deste universo de nacionalistas, deve ser difícil encontrar um patriota.
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